Overview do projeto
O PlantMind nasceu de uma dificuldade que eu mesma enfrentava: cuidar de plantas parecia simples, mas cada pesquisa trazia uma resposta diferente. Nunca sabia se estava regando na quantidade certa, usando o solo adequado ou identificando corretamente um problema.
Conversando com outras pessoas, percebi que essa insegurança era muito comum. A maioria queria cuidar melhor das suas plantas, mas acabava recorrendo a informações espalhadas, contraditórias e difíceis de aplicar no dia a dia.
Foi assim que surgiu o PlantMind: um aplicativo pensado para organizar os cuidados com plantas de forma simples, prática e confiável. Mais do que lembrar o usuário de regar, o objetivo é ajudá-lo a entender cada etapa do cuidado e tomar decisões com mais segurança.
Neste projeto fui responsável por todo o processo de UX/UI Design, desde a pesquisa com usuários até a arquitetura da informação, identidade visual, interface e prototipação de alta fidelidade.
Qual problema resolver?
A pesquisa mostrou que o maior problema não é a falta de interesse em cuidar das plantas, mas a falta de confiança.
Mesmo pessoas que cultivam plantas há algum tempo ainda têm dúvidas sobre rega, iluminação, solo, adubação, poda e identificação de doenças. Além disso, encontram informações diferentes em cada site ou vídeo consultado, o que gera insegurança e aumenta as chances de cometer erros.
Os aplicativos existentes normalmente resolvem apenas parte desse problema, oferecendo lembretes de rega ou listas de cuidados. Poucos explicam o motivo de cada ação ou ajudam o usuário quando algo dá errado.
O desafio do PlantMind foi transformar informações dispersas em uma experiência simples, organizada e acessível para quem deseja cuidar melhor das suas plantas.
Como abordei o problema?
Para estruturar o projeto, utilizei a metodologia Double Diamond, passando pelas etapas de descoberta, definição, desenvolvimento e entrega.
(imagem 2)
O processo começou com uma pesquisa com usuários para entender quais eram as principais dificuldades enfrentadas por pessoas que cultivam plantas. A partir desses dados, sintetizei os principais insights e defini os requisitos do produto.
Na etapa de desenvolvimento, explorei diferentes soluções para a arquitetura da informação e para os fluxos de navegação, estruturando os wireframes diretamente no Figma.
Fui reorganizando a hierarquia das informações, refinando a navegação e construindo uma interface alinhada aos aprendizados obtidos durante a pesquisa.
O resultado foi uma solução mais consistente, intuitiva e centrada nas necessidades reais dos usuários.
Pesquisas com usuários, entendendo o problema
Para validar a ideia do PlantMind, apliquei um formulário com 39 pessoas que possuem plantas, desde iniciantes até colecionadores experientes. O objetivo era entender quais são as maiores dificuldades no cuidado das plantas e descobrir quais funcionalidades realmente fariam diferença em um aplicativo.
As perguntas focadas no problema
- Você tem plantas atualmente?
- Você se considera iniciante, intermediário ou avançado?
- O que você faz hoje para cuidar das suas plantas?
- Você usa algum aplicativo ou lembrete?
- Com que frequência esquece de cuidar das plantas?
- Qual foi a última planta que perdeu?
- O que mais te dá dúvida no cuidado?
- O que faria você se sentir mais confiante?
- Como seria um aplicativo ideal?
- Gostaria de receber lembretes automáticos?
- Que tipo de ajuda gostaria de receber?
O que descobri com as respostas
A pesquisa mostrou que a maioria dos participantes está começando no universo das plantas.
Dos 39 respondentes:
- 26 são iniciantes (67%)
- 12 intermediários (31%)
- 1 avançado (2%)
Mesmo entre os usuários mais experientes, dúvidas sobre manejo, substrato, doenças e rega continuam aparecendo.
Outro dado importante foi que quase ninguém utiliza uma ferramenta específica para organizar os cuidados. A maioria cuida "de memória", observa a aparência da planta ou cria lembretes improvisados.
Também ficou evidente que esquecer de cuidar é um problema recorrente. Muitos responderam frases como:
"Sempre." · "Esqueço bastante." · "Frequentemente." · "Em semanas corridas acabo esquecendo." · "Tenho TDAH e isso dificulta ainda mais."
As perdas de plantas quase sempre estavam relacionadas a erros simples:
- excesso de água;
- falta de rega;
- pouca iluminação;
- doenças que não souberam identificar;
- escolha incorreta do vaso ou da terra.
Quando perguntados sobre suas maiores dúvidas, apareceram repetidamente temas como:
- quando regar;
- quanto regar;
- qual terra utilizar;
- quando adubar;
- como podar;
- como identificar doenças;
- como salvar uma planta antes que ela morra.
"De tudo. Hora para regar, como regar, se ficar doente o que estou fazendo de errado, como cuidar."
"Ter um passo a passo de como cuidar."
"Existem muitas informações diferentes na internet e isso me deixa insegura."
O aplicativo ideal segundo os usuários
As respostas seguiram um padrão bastante consistente. Os participantes imaginam um aplicativo que:
- lembre o momento correto da rega;
- explique exatamente como cuidar de cada planta;
- identifique doenças;
- informe quando podar ou adubar;
- ajude a evitar que a planta morra;
- organize todas as plantas em um só lugar.
Também surgiu um insight interessante: vários usuários disseram que os lembretes precisam ser inteligentes, considerando clima, estação do ano e permitindo configurar ou pausar notificações. Ou seja, eles não querem apenas alarmes constantes — querem lembretes realmente úteis.
Funcionalidades mais desejadas
| Funcionalidade | Respostas |
|---|---|
| Quando regar | 34 |
| Quanto regar | 33 |
| Diagnóstico de doenças | 32 |
| Dicas personalizadas | 31 |
| Identificação de plantas | 29 |
Além dessas, diversos participantes citaram espontaneamente: calendário de adubação, troca de vasos, tipos de solo, poda, ciclo de vida, nutrientes, histórico da planta e jardim virtual.
Principal insight
O padrão ficou muito claro durante toda a pesquisa.
As pessoas não querem apenas um aplicativo que envie notificações. Elas querem compreender o cuidado das plantas, sentir segurança nas decisões e ter uma fonte confiável para recorrer sempre que surgir um problema.
O PlantMind deixa de ser apenas um lembrete de rega e passa a atuar como um verdadeiro assistente de cuidados.
Definição do problema
"Como poderíamos ajudar pessoas que cuidam de plantas em casa a ter confiança nos cuidados do dia a dia — sabendo não só quando regar, mas que terra usar, quando trocar de vaso, quando podar e o que fazer quando a planta adoece — sem precisar garimpar informações contraditórias na internet?"
Como a pesquisa influenciou o produto
| Insight encontrado | Solução aplicada |
|---|---|
| Usuários esquecem de cuidar das plantas | Sistema de lembretes personalizados |
| Informações contraditórias na internet | Guias claros e objetivos para cada espécie |
| Dificuldade em identificar problemas | Diagnóstico por foto |
| Medo de perder plantas | Recomendações personalizadas de cuidados |
| Dificuldade para organizar várias plantas | Dashboard com todas as plantas cadastradas |
| Insegurança durante o cuidado | Informações explicando o motivo de cada ação |
Esses insights foram fundamentais para definir quais funcionalidades realmente agregariam valor ao produto.
Ideação, protótipos & testes
Wireframes
Após compreender as principais dores dos usuários durante a pesquisa, iniciei a estruturação dos fluxos e das telas do PlantMind.
Comecei explorando rapidamente a organização das informações e os principais fluxos do aplicativo direto no Figma, com telas simples para validar a estrutura antes de partir para o visual.
A partir dali, redesenhei completamente a interface, refinando a arquitetura da informação, reorganizando a navegação e simplificando os formulários. O objetivo foi reduzir a carga cognitiva e permitir que o usuário encontre rapidamente os cuidados necessários para cada planta.
Ao longo desse processo, cada decisão de interface foi guiada pelos insights obtidos na pesquisa com usuários.
Design final
A identidade visual do PlantMind foi construída em torno de dois conceitos: natureza viva e cuidado gentil. A paleta combina tons suaves de verde, creme e terracota para transmitir acolhimento, tranquilidade e confiança.
Uma escolha intencional foi o uso de ilustrações e elementos com estética kawaii — traços arredondados, expressivos e cheios de personalidade. Essa decisão vai além da estética: a pesquisa mostrou que muitas pessoas sentem insegurança ao cuidar das plantas, principalmente quando algo dá errado. Por isso, o aplicativo precisava transmitir leveza e incentivar o aprendizado, em vez de gerar ansiedade.
A interface do PlantMind utiliza a Manrope — uma sans-serif geométrica de formas arredondadas — nos pesos Medium, Bold e ExtraBold, com espaçamento de letras de -4%, escolhida por unir personalidade, legibilidade em telas pequenas e sintonia com o estilo kawaii da identidade visual.
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(imagem 6)
(imagem 7)
Veja o protótipo completo navegável no Figma.
Abrir protótipoTeste de usabilidade
Para validar a experiência do PlantMind, realizei um teste de usabilidade remoto e não moderado, com 9 participantes recrutados através de um post no LinkedIn. Cada pessoa navegou pelo aplicativo já implementado e respondeu, através de um formulário, 5 tarefas guiadas — da exploração inicial até a organização dos cuidados de várias plantas — além de perguntas abertas sobre a experiência.
Do grupo:
- 7 participantes (78%) se consideravam iniciantes no cuidado com plantas; 2 (22%) avançados
- 7 possuíam plantas atualmente; 2 não possuíam
- 6 (67%) relataram ter dúvidas frequentes ou constantes sobre como cuidar das plantas
Resultados
100% dos participantes disseram que usariam o PlantMind para cuidar das próprias plantas
100% conseguiram descobrir quando regar e organizar os cuidados de várias plantas — a maioria (78% e 100%) sem qualquer dificuldade
89% concluíram o diagnóstico de problemas na planta, e 100% saíram se sentindo mais confiantes para cuidar dela (67% "muito mais confiantes")
Apesar dos resultados positivos, o teste revelou pontos de atenção importantes — a maioria ligada a fricções pontuais de interface, não a problemas estruturais do fluxo:
- 5 dos 9 participantes (56%) relataram algum momento de confusão durante a navegação, a maior parte pontual e recuperável (ex: dificuldade voltando de uma tela, elemento escondido pelo scroll)
- 1 participante não conseguiu concluir a tarefa de diagnóstico — justamente quem tinha menos familiaridade com plantas, o que reforça a necessidade de tornar o fluxo mais guiado para iniciantes completos
"Utilizaria 100%, por isso dei tantas sugestões (...) O aplicativo além de ser lindo e seguir uma estética calm tech que gosto bastante, é bem fácil de usar e me ajudaria muito como uma mãe de planta iniciante."
— Clarisse"Fazer o diagnóstico, adorei isso e não esperava ter no app."
— Paola"Fiquei com dificuldade na hora de trocar a foto de perfil, pois o elemento não estava fixo na tela e precisei dar scroll. (...) É sempre importante pensar em acessibilidade! Recomendo que estude sobre a WCAG para resolver problemas de contraste."
— LucilanaO que o teste revelou para a próxima iteração
| Insight do teste | Próxima solução |
|---|---|
| Usuários não encontram como editar uma planta já cadastrada | Botão de editar planta |
| Dificuldade em lembrar o nome da planta identificada no diagnóstico | Adicionar a planta direto pela tela de diagnóstico, já com o cuidado recomendado |
| Vontade de acompanhar a evolução visual da planta | Histórico com fotos por planta |
| Cadastro manual da frequência do lembrete exige esforço | Opções pré-definidas (diária, semanal, mensal) além do campo livre |
| Rega e adubação "somem" dentro do cadastro da planta | Lembretes de rega e adubação visíveis direto no dashboard |
| Baixo contraste em botão do formulário inicial | Revisão de contraste seguindo diretrizes de acessibilidade (WCAG) |
| Falta de vocabulário básico para iniciantes completos | Guia introdutório com termos e recomendações básicas |
Acessibilidade
Um dos comentários do teste, embora pontual, me chamou muita atenção: a Lucilana apontou baixo contraste entre a cor de fundo e a cor da fonte em um botão do formulário inicial, destacando como isso pode ser uma barreira para pessoas com baixa visão, e recomendou que eu estudasse as diretrizes da WCAG (Web Content Accessibility Guidelines).
Até esse teste, eu avaliava contraste visualmente, sem seguir nenhum critério técnico — o que funciona para mim não necessariamente funciona para todo mundo. A partir desse feedback, pretendo revisar a paleta de cores do PlantMind com base nos critérios da WCAG nível AA (contraste mínimo de 4.5:1 para texto normal e 3:1 para texto grande e elementos gráficos), começando pelo botão citado no formulário inicial e depois passando pelo restante da interface.
"É sempre importante pensar em acessibilidade! Recomendo que estude sobre a WCAG para resolver problemas de acessibilidade no app, principalmente no que diz respeito a contraste."
— LucilanaAprendizados do processo
Este foi meu primeiro case de UX. Comecei o projeto em abril e finalizei em agosto, desenvolvendo no ritmo da minha disponibilidade e aprendendo cada etapa ao longo do caminho — da pesquisa à prototipação, até a implementação.
O design e a identidade visual foram feitos por mim no Figma. Como não sou desenvolvedora, para tirar o PlantMind do papel utilizei o Claude Code, que me ajudou a implementar o aplicativo funcional a partir do design que criei. Já para estruturar o formulário do teste de usabilidade, contei com a ajuda do ChatGPT.
Por isso, o teste de usabilidade não foi feito em cima de um protótipo estático — foi feito com o aplicativo já implementado e funcional, o que me permitiu validar a experiência real, não apenas telas navegáveis. Isso trouxe uma camada extra de aprendizado: entender como as decisões de design se traduzem (ou não) em comportamento real na interface funcional, e como pequenos detalhes de implementação afetam a percepção de usabilidade.