Overview do projeto
A Wina foi meu primeiro case de UI design — um projeto de estudo, uma fintech fictícia criada para praticar identidade visual, arquitetura e design de interface do zero.
A Wina é um aplicativo financeiro pensado para ajudar mulheres — especialmente empreendedoras e profissionais com renda variável — a organizarem sua vida financeira com mais clareza, controle e segurança.
A proposta é simplificar o gerenciamento financeiro por meio de uma experiência intuitiva e visualmente sofisticada, permitindo que a usuária entenda não só quanto ela tem, mas principalmente como está usando o dinheiro e como pode evoluir financeiramente com mais consistência.
O projeto envolveu a criação da identidade visual, o estudo do problema, a definição da solução e o desenvolvimento da interface — da landing page ao aplicativo — com foco em transformar dados financeiros em informações claras e acionáveis.
Qual problema resolver?
Muitas mulheres enfrentam dificuldades na organização financeira, principalmente quando lidam com múltiplas fontes de renda, negócio próprio ou uma rotina financeira descentralizada.
As soluções disponíveis no mercado costumam ser complexas, pouco intuitivas ou excessivamente técnicas — e existe uma dor recorrente por trás disso: a falta de clareza sobre o próprio dinheiro.
Isso aparece como dificuldade em entender para onde o dinheiro está indo, falta de previsibilidade financeira, insegurança na tomada de decisões e uma sensação de descontrole, mesmo com renda suficiente.
O desafio da Wina foi transformar essa complexidade em uma ferramenta que ofereça clareza, visão integrada e simplicidade na tomada de decisão.
Como abordei o problema?
Usei IA desde o início do projeto — para explorar o problema, estruturar hipóteses sobre o comportamento financeiro do público e organizar o raciocínio de cada etapa, da definição do problema até a criação da identidade e da interface.
Isso me ajudou a mapear dores relacionadas à organização financeira feminina — padrões de comportamento, dificuldades práticas e a relação emocional com o dinheiro — além de olhar para soluções já existentes no mercado, buscando lacunas na experiência do usuário e na clareza das informações.
A partir disso, ficou claro que o problema central não estava apenas na falta de controle financeiro, mas na ausência de uma ferramenta que oferecesse clareza, visão integrada e simplicidade na tomada de decisão — foi esse entendimento que guiou as decisões de wireframe, identidade visual e interface que vieram a seguir.
Pesquisa com usuárias
Para entender melhor o comportamento e as dificuldades financeiras do público, explorei padrões comuns entre mulheres que gerenciam a própria renda, com apoio de IA para estruturar hipóteses e organizar o raciocínio de descoberta — um exercício de metodologia feito durante o workshop de UX do Kacio.
Perguntas-chave
- Você sente que tem controle total do seu dinheiro?
- Consegue prever como seu mês financeiro vai terminar?
- Sabe exatamente para onde seu dinheiro está indo?
- O que mais te gera insegurança financeira?
- Você sente que poderia organizar melhor seu dinheiro?
Matriz de certezas, suposições e dúvidas
Antes de partir para o wireframe, organizei uma matriz CSV para separar o que eu já sabia, o que estava assumindo e o que ainda precisava descobrir sobre o comportamento financeiro do público.
- Certezas — mulheres empreendedoras enfrentam barreiras com bancos tradicionais; há demanda por gestão financeira integrada e simplificada; startups em crescimento precisam de relatórios para investidoras; mobile-first é essencial para esse perfil.
- Suposições — a comunidade integrada aumentaria retenção e indicações; relatório automático para investidoras seria um diferencial decisivo; conta compartilhada entre sócias é uma dor recorrente; crédito baseado em receita seria mais atrativo que opções tradicionais.
- Dúvidas — qual feature seria o "gancho" de aquisição mais forte; quanto as usuárias pagariam por mês por uma conta PJ com gestão integrada; e se o foco feminino é visto como valor ou como limitação por elas.
Principais descobertas
Alguns padrões se destacaram nesse exercício de descoberta:
"Eu ganho, mas não sei exatamente para onde o dinheiro vai."
"Sinto que poderia me organizar melhor, mas não sei por onde começar."
"Às vezes parece que estou no controle, mas no fim do mês não sei explicar meus gastos."
A partir disso, os insights principais foram:
- dificuldade em visualizar o todo financeiro;
- sensação de desorganização mesmo usando ferramentas;
- excesso de complexidade nas soluções atuais;
- necessidade de uma abordagem mais simples e clara.
Definição do problema
"Como poderíamos ajudar mulheres a organizarem suas finanças de forma simples e clara, permitindo maior controle, previsibilidade e segurança nas decisões financeiras — sem complexidade ou sobrecarga?"
Personas
Para guiar as decisões de design, mapeei dois perfis representativos de uso da Wina — uma fundadora em estágio inicial e uma CEO em captação, com dores e expectativas bem diferentes em relação ao produto.
Ana Rodrigues — 32 anos, CEO e fundadora, São Paulo
Ana toca uma startup de moda sustentável em estágio seed, com 18 meses de receita recorrente, 1 sócia, 2 funcionários e faturamento entre R$ 30 e 80 mil por mês, variável por sazonalidade. É mobile-first, odeia burocracia, decide por indicação da comunidade de fundadoras e ainda gasta de 4 a 6 horas por semana em gestão financeira manual.
- Sem visibilidade de caixa em tempo real;
- crédito negado por tempo de CNPJ, não por desempenho;
- conta compartilhada com a sócia sem controle de acesso.
O que ela espera da Wina: um dashboard financeiro nativo (sem depender de planilha), capital de giro rápido baseado em receita e uma conta multi-sócias com permissões individuais.
"Quero um banco que entenda que minha receita diz mais sobre mim do que o tempo do meu CNPJ."
— Ana RodriguesCamila Torres — 38 anos, CEO, remoto (Brasil)
Camila lidera um SaaS B2B em estágio pré-série A, com receita recorrente de R$ 120 a 300 mil por mês, 1 sócia técnica, 8 funcionários e modelo de assinatura — e está em due diligence para captação com fundos nacionais. Usa desktop para análise e mobile para aprovações rápidas, valoriza dados e dashboards, e gasta 2 dias por mês montando relatórios financeiros manualmente.
- Múltiplas contas — pagamentos, folha, fornecedores — em sistemas separados;
- relatórios para investidoras feitos 100% à mão, todo mês;
- sem visão consolidada do negócio em um único lugar.
O que ela espera da Wina: relatório automático para investidoras em um clique, visão consolidada de todas as contas e centros de custo, e histórico financeiro organizado para due diligence.
"Não quero mais perder 2 dias por mês montando planilha. Quero chegar na reunião com o dado pronto."
— Camila TorresA diferença central entre as duas: Ana está sobrevivendo e crescendo — precisa de acesso, controle básico e crédito para não perder oportunidades. Camila está escalando e captando — precisa de visão consolidada, automação e dados que convençam investidoras. A Wina precisa servir as duas sem diluir o produto.
Concorrentes
Também fiz um benchmark comparando a Wina com os principais concorrentes diretos e referências do mercado, pra entender onde ela se diferencia.
| Concorrente | Posicionamento | Fraquezas |
|---|---|---|
| Nubank PJ | Conta PJ simples e gratuita, forte em onboarding e UX mobile | Sem dashboard, sem crédito PJ relevante, genérico |
| Inter PJ | Conta PJ gratuita com marketplace de serviços financeiros | UX densa, sem foco em startups, suporte fraco |
| Conta Simples | Conta PJ para startups, cartão corporativo multi-usuário | Pago, sem foco feminino, sem relatório para investidor |
| Mercury (EUA) | Banco digital robusto para startups americanas — referência de produto | Não opera no Brasil, sem foco feminino |
| C6 Bank PJ | Banco de varejo com conta PJ, experiência mais tradicional | Sem foco em startups, UX datada, sem gestão financeira |
Esse mapeamento reforçou o principal diferencial da Wina: nenhum concorrente direto tem foco em mulheres empreendedoras, nem une gestão financeira avançada com crédito baseado em receita — a Wina nasce justamente para preencher essa lacuna, com um público e um posicionamento bem definidos: mulheres empreendedoras em estágio seed e pré-série A.
Ideação, protótipos & testes
Wireframes
O wireframe inicial foi gerado no Google Stitch e depois refinado por mim, ajustando hierarquia visual e fluxo a partir das minhas próprias referências. As principais seções foram dashboard financeiro, controle de gastos, metas financeiras e insights inteligentes — pensadas para permitir ações rápidas e reduzir fricção.
Design final
A identidade visual da Wina foi construída em torno de um azul profundo e sofisticado, com gradientes suaves e os cortes diagonais do cartão físico como elemento recorrente da marca — do wordmark às fotografias das empreendedoras que estrelam a landing page. A tipografia é limpa e direta, com bastante contraste entre o azul e o branco, reforçando a sensação de solidez e confiança que o público busca num banco.
As imagens de apoio — fotos, telas e elementos gráficos — foram geradas com o Gemini e ajustadas por mim para manter consistência visual em toda a marca.
A landing page está no ar; o app ficou no nível de design de interface, sem implementação.
Ver site completoDiferencial do produto
A Wina não é apenas um app de controle financeiro — ela atua como uma ferramenta de clareza financeira.
- visualização simplificada do dinheiro;
- insights automáticos e compreensíveis;
- foco em comportamento financeiro;
- experiência sem linguagem técnica.
O que eu faria se tivesse mais tempo
Com mais tempo, os próximos passos seriam:
- personalização de insights financeiros;
- integração com contas e meios de pagamento;
- automação de categorização de gastos;
- implementação completa do aplicativo.
Aprendizados do processo
A Wina nasceu em dois workshops de design que fiz: a identidade visual e a landing page foram desenvolvidas durante o workshop IA Boost, e o design da interface do aplicativo foi feito durante o workshop do Kacio — onde também aprendi a estruturar esse tipo de estudo de problema, persona e análise de concorrência.
O wireframe inicial foi gerado no Google Stitch e refinado por mim a partir das minhas próprias referências; as imagens de apoio foram geradas com o Gemini. A landing page foi implementada com o Claude Code e publicada na Vercel — o aplicativo, por enquanto, ficou no nível de design de interface, sem implementação.
A etapa de "pesquisa com usuárias" deste projeto foi um exercício de metodologia apoiado por IA, não uma pesquisa com pessoas reais — vale essa transparência aqui. Ainda assim, o processo de mapear dores, personas e concorrentes me ajudou a tomar decisões de design mais intencionais para a identidade e a interface da Wina.